8 de nov de 2013

Onde estão os escolhidos de Deus?

A vida espiritual em nossa sociedade parece com o que aconteceu no navio em que viajou o profeta Jonas. O medo das pessoas diante dos ventos tempestuosos leva cada um a clamar ao seu deus, fazendo o que podem para terem dias melhores. Mas, como aconteceu com Jonas, muitos que se dizem cristãos estão dormindo profundamente no porão do navio da vida, enquanto os "pagãos" parecem mais despertados para o mundo espiritual do que o profeta de Deus.

Onde estão os escolhidos de Deus? Quando eu era menino pensava que todo mundo era de Deus. À medida que crescia, ouvia que existem pessoas que são do diabo. Mesmo assim, eu continuava com a impressão que todos eram de Deus e que ao morrerem estavam indo para o céu. Somente uma pessoa muito má, talvez fosse para o inferno. Porém, quando me tornei evangélico, aprendi que os de Deus são os crentes, os que fazem parte de uma igreja evangélica, os demais são do diabo e vão para o inferno. Talvez possa até ter alguma alma boa fora da igreja evangélica; quem sabe a Madre Teresa, o Francisco de Assis, e olha lá, só Deus sabe, mas os crentes já sabem que somente os crentes das igrejas evangélicas são os escolhidos de Deus, os predestinados, os abençoados. Mas, é assim mesmo? Não.

A Bíblia diz que tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões. Jesus, que nunca pecou, assumiu todos os nossos pecados para que fôssemos feitos justiça de Deus. Jesus é a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem. Deus o enviou ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. O seu sangue derramado na cruz nos deu paz e nos aproximou de Deus. Assim, nos tornamos concidadãos dos santos e família de Deus. Ele, Jesus, o Justo, é o Advogado dos pecadores junto ao Pai; foi ele quem levou sobre si a ira de Deus contra os nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.

Tudo isso que a Bíblia diz é para você e para mim. Deus tomou a iniciativa em nosso favor. Aliás, isso é uma redundância, visto que tudo começou em Deus "pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos". Note a abrangência da vinda de Jesus ao mundo: Deus reconciliou consigo o mundo; Jesus é a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem; ele foi enviado para que o mundo fosse salvo por ele; ele levou sobre si os pecados do mundo inteiro. Isso me parece deixar claro que os escolhidos de Deus não estão restritos a categorias humanas nem identificados por instituições religiosas.

O capítulo 10 da carta do apóstolo Paulo aos Romanos nos mostra que os escolhidos de Deus estão por toda parte, nem sempre entre os religiosos, mas também entre esses; que qualquer pessoa em qualquer lugar e em qualquer tempo pode invocar o nome do Senhor e ser salva, e mais, mesmo aqueles que nunca ouviram falar do evangelho podem estar entre os escolhidos de Deus, porque Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo.

O apóstolo Paulo orou em favor do seu povo para que fosse salvo. Os judeus eram zelosos por Deus, mas sem entendimento. Eles queriam se justificar diante de Deus pela justiça própria e rejeitavam a Cristo. Não entendiam que “o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.” O mesmo acontece em nossos dias entre os que dizem conhecer o evangelho, porque continuam dependendo de si mesmos para agradar a Deus, chamando isso de santidade, consagração, e obediência, mas, é dependência dos próprios méritos por não confiarem na graça de Jesus. O justo vive pela fé e não pela obediência ao sistema religioso de qualquer igreja. Os escolhidos de Deus não podem ser confundidos com os escolhidos das igrejas.

Os escolhidos de Deus não vivem de desempenho, mas pela fé que confessa a Jesus como o Senhor ressuscitado. Esses não serão confundidos, estejam eles entre os judeus ou gregos, uma vez que Jesus é o Senhor de todos, rico para com todos que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Para isso precisamos anunciar o Evangelho a todas as pessoas. Assim crendo elas estarão entre os escolhidos de Deus.

Mas, a pregação do Evangelho não é conhecida de todos e nem será jamais ouvida ou lida por tantos que vivem em lugares de difícil acesso. Isso quer dizer que não ouviram a palavra de Deus? Sim, certamente que ouviram: Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Moisés já dizia a Israel: Eu vos porei em ciúmes com um povo que não é nação, com gente insensata eu vos provocarei à ira. E Isaías a mais se atreve e diz: Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim.

“Mas, desde o nascente do sol até ao poente, é grande entre as nações o meu nome; e em todo lugar lhe é queimado incenso e trazidas ofertas puras, porque o meu nome é grande entre as nações, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ml 1.11). Os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Portanto, todos são indesculpáveis quanto ao conhecimento de Deus.

Então, não precisamos mais pregar o evangelho? É claro que precisamos. Jesus é a revelação especial de Deus; ele é o único Mediador entre Deus e os homens. Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvo. Esta é a mensagem que deve se tornar conhecida de todos para que possam crer no Evangelho que nos apresenta o Salvador Jesus.

Mas, o que muitos não entendem é que Deus se revela aos pecadores através do anúncio do Evangelho, através das coisas criadas, e falando à própria consciência humana. E cada um será julgado à luz da revelação que teve. As igrejas evangélicas estão enganadas por pensarem que os escolhidos de Deus são apenas os seus membros congregados. Os escolhidos de Deus estão por toda parte, inclusive entre os evangélicos, mas não apenas entre eles. A parábola do joio e do trigo nos mostra que escolhidos e religiosos crescem juntos até a colheita final – o campo é o mundo e só Deus sabe quem é joio e quem é trigo.

Jesus disse para a elite religiosa dos judeus: “Em verdade vos digo que publicanos e meretrizes vos precedem no reino de Deus”. Os escolhidos de Deus estão onde menos se espera, e não estão onde com certeza se afirma estarem lá, porque, as igrejas têm muitos que Deus não tem e Deus tem muitos que as igrejas não conhecem. Os escolhidos de Deus estão espalhados por toda a terra. É por isso que quando Jesus voltar, “ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus”. O Apocalipse diz que o Cordeiro com o seu sangue comprou para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação.

Antonio Francisco – Cuiabá, 8 de novembro de 2013 – Voltar para Perguntas e Respostas.