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Obediência por fé

A evidência da fé é a obediência, e sem obediência não existe fé. Ninguém tem fé se ela for estéril. A obediência é o veículo em ação, enquanto a fé é o combustível. Geralmente entendemos obediência como submeter-se à vontade de alguém de boa vontade ou mesmo contra a vontade. Você pode obedecer sem concordar e sem se relacionar. É assim que acontece no ambiente de trabalho, por exemplo.

Mas, quando falamos de obediência por fé, entramos numa dimensão mais ampla que envolve o visível, o invisível, o emocional, o racional, e até mesmo o que vai além da razão. Obediência por fé é o que acontece em nossa relação com Deus.

Noé foi divinamente instruído acerca da construção de uma arca. Ele nunca tinha presenciado uma chuva nem visto a imensidão do mar. Mesmo assim foi obediente pela fé e fez a embarcação que salvou sua família.

Abraão, o pai da fé, é um exemplo de quem praticou a obediência por fé. Ele atendeu ao chamado de Deus e partiu sem nenhum roteiro. Ele sabia com quem ia, mas não sabia aonde ia. Isso é obediência por fé, o que não é mais comum hoje. A esposa de Abraão era estéril e Deus lhe prometeu um filho do qual viria uma multidão. Mais de vinte anos se passaram sem o cumprimento dessa promessa, que só se concretizou quando Sara tinha noventa anos e Abraão cem. Ele creu contra a esperança e obedeceu por fé.

Moisés abandonou todos os privilégios que tinha no Egito, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus, pois esperava apenas as recompensas de Deus. Fez isso sem temer a ira do rei, permanecendo firme como quem vê aquele que é invisível.

Em séculos passados os missionários partiam para além mar sem conhecer nada do outro continente. Eles não conheciam a cultura, a língua, o clima; apenas obedeciam por fé ao chamado de Deus para levar a mensagem do evangelho para aquela gente. Aquilo era obediência por fé. Hoje, ser missionário é quase um turismo.

Obediência por fé é dar razão a Deus, não à minha razão. A fé cristã não ignora a razão, mas vai além da razão. Nosso culto é racional e amamos a Deus de todo o nosso entendimento, mas submetemos tudo o que temos, somos e sabemos à obediência de Cristo conforme a revelação bíblica.

Cada um de nós tem que escolher viver pela revelação ou pela razão. Aceitamos a revelação bíblica como expressão da vontade de Deus, ou andamos na vaidade de nossos próprios pensamentos. A revelação bíblica não anula nossa razão, mas precisamos ser transformados pela renovação da nossa mente, para que experimentemos qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Escrevendo para os romanos Paulo disse que recebemos graça por intermédio de Jesus, para a obediência por fé (Rm 1.5). Essa obediência é fruto da graça divina, praticada pela fé que é dom de Deus. Diferente disso é a sabedoria deste mundo que é loucura para Deus. A visão da vida no imaginário coletivo não condiz com o padrão de Deus na Bíblia. Esse diferencial é tal que não devemos amar esse sistema alienado. Fazer isso é desconhecer o amor do Pai celeste. Os desejos e aquisições deste mundo passam rapidamente, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

Obediência por fé é aceitar que Deus tem razão no que diz; é trocar tudo pelo tesouro do reino de Deus; é considerar tudo como perda por causa de Cristo; é expor a vida pelo nome do Senhor Jesus Cristo; é tomar dia a dia a sua cruz e seguir a Jesus; é dizer: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl 2.19-20). Precisamos voltar ao início de tudo e viver a simplicidade do evangelho obedecendo pela fé a vontade de Deus.

Antonio Francisco - Cuiabá, 5 de agosto de 2011 - Voltar para Um novo caminho.

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